Agosto é, para muitas famílias, sinónimo de férias, viagens e mudanças na rotina. Mas quando existe uma pessoa idosa que necessita de acompanhamento regular, esta alteração pode trazer algumas preocupações: quem assegura os cuidados durante a ausência da família? Como manter os horários habituais? O que deve ficar preparado antes da viagem?
Organizar antecipadamente este período pode fazer toda a diferença.
Mais do que garantir que as necessidades básicas continuam a ser asseguradas, é importante preservar, tanto quanto possível, a rotina, a segurança, o conforto e a tranquilidade da pessoa idosa.
Porque é importante manter alguma estabilidade na rotina?
As férias da família não precisam de significar uma mudança completa na rotina da pessoa que fica em casa.
Horários das refeições, momentos de descanso, atividades habituais, passeios e outras pequenas referências do quotidiano ajudam a estruturar o dia e proporcionam uma sensação de continuidade.
Alterações demasiado bruscas podem gerar desconforto, insegurança ou desorientação, sobretudo em pessoas mais vulneráveis ou com alterações cognitivas.
Por isso, antes de partir, é importante identificar aquilo que faz parte da rotina habitual e procurar preservar esses hábitos durante o período de ausência.
1. Prepare antecipadamente os cuidados necessários
Uma boa organização começa por perceber exatamente que tipo de apoio será necessário.
Faça uma lista das principais necessidades da pessoa:
- horários e hábitos das refeições;
- medicação prescrita e respetivos horários;
- consultas ou tratamentos agendados;
- necessidades de higiene e cuidados pessoais;
- limitações de mobilidade;
- atividades habituais;
- contactos médicos relevantes;
- contactos de familiares ou pessoas de referência;
- preferências e rotinas importantes.
Quanto mais clara estiver esta informação, mais fácil será garantir a continuidade dos cuidados.
2. Organize a medicação com especial atenção
Se a pessoa toma medicação regularmente, este é um dos pontos que exige maior preparação.
Antes das férias, confirme se existe quantidade suficiente para todo o período e mantenha a medicação organizada de acordo com as indicações dos profissionais de saúde.
É igualmente importante que quem ficará responsável pelo acompanhamento conheça os horários e as orientações existentes.
Nunca devem ser feitas alterações à medicação sem indicação de um profissional de saúde.
3. Não esquecer a hidratação e a alimentação
Durante o verão, a hidratação merece atenção redobrada.
Com o avançar da idade, a sensação de sede pode tornar-se menos evidente, pelo que é importante disponibilizar água regularmente ao longo do dia.
Também pode ser útil:
- manter água facilmente acessível;
- incluir alimentos ricos em água, quando adequados;
- privilegiar refeições leves e equilibradas;
- evitar longos períodos sem comer;
- respeitar eventuais recomendações alimentares específicas.
Nos dias particularmente quentes, é importante estar atento a alterações do estado habitual da pessoa e procurar aconselhamento médico perante sintomas preocupantes.
4. Prepare a casa para os dias mais quentes
Antes de viajar, observe também as condições da casa.
Durante as horas de maior calor, pode ser necessário reduzir a entrada direta do sol através de estores, persianas ou cortinas e aproveitar as horas mais frescas para ventilar os espaços.
Verifique ainda se as divisões utilizadas com maior frequência estão confortáveis e se os objetos necessários no quotidiano estão facilmente acessíveis.
Pequenos ajustes podem tornar a casa simultaneamente mais confortável e mais segura.
5. Segurança também significa prevenir quedas
Uma mudança de rotina pode significar que a pessoa passa mais tempo sozinha ou realiza determinadas tarefas sem a ajuda habitual.
Por isso, vale a pena fazer uma pequena verificação da casa antes das férias.
Tapetes soltos, objetos nas zonas de passagem, iluminação insuficiente, fios no chão ou calçado pouco adequado podem aumentar o risco de queda.
Também é importante garantir que telefone, óculos, água e outros objetos utilizados frequentemente ficam facilmente acessíveis.
6. Manter-se ativo continua a ser importante
Proteger não significa limitar desnecessariamente.
Sempre que as condições de saúde e a temperatura permitam, é importante incentivar a pessoa a continuar a participar nas atividades que fazem parte da sua rotina.
Uma pequena caminhada nas horas mais frescas, preparar parte de uma refeição, cuidar das plantas, organizar objetos ou simplesmente movimentar-se regularmente dentro de casa podem contribuir para manter capacidades e promover o bem-estar.
O apoio deve ser ajustado às necessidades de cada pessoa, proporcionando segurança sem retirar autonomia.
7. Companhia também faz parte do cuidado
Durante as férias, a atenção costuma concentrar-se nas necessidades práticas: alimentação, higiene, medicação ou organização da casa.
Mas existe outra necessidade igualmente importante: a companhia.
Conversar, partilhar uma refeição, passear, recordar histórias ou simplesmente ter alguém presente pode fazer uma diferença significativa no dia.
O cuidado deve olhar para a pessoa como um todo, considerando não apenas as suas necessidades físicas, mas também o seu bem-estar emocional e social.
8. Crie um plano para situações imprevistas
Mesmo com uma boa organização, podem surgir imprevistos.
Antes de partir, deixe facilmente acessíveis:
- contactos dos familiares;
- contacto do médico ou unidade de saúde habitual;
- informação relevante sobre saúde;
- contactos de emergência;
- identificação e documentação necessária;
- instruções claras sobre quem contactar perante uma alteração do estado habitual.


